Janeiro 22, 2010

Elogio à Preguiça


Uma estranhíssima demência se apossou das classes operárias das nações. Depois infectou a sociedade civil, aquela mesma que Gramsci separou do Estado.  Bom, mas onde já "civil" tanta adulação ao trabalho?. Esta loucura arrasta consigo misérias individuais e sociais que há dois séculos torturam a  humanidade com garrote do compromisso. A paixão moribunda pelo trabalho, levada até ao esgotamento das forças vitais do indivíduo. No lugar de reagir contra esta aberração mental, os padres, os economistas, os moralistas sacrossantificaram-no. Reivindico aqui, como fez Paul Lafargue (o cara que pegou a filha do Marx), o direito de ter muita, mas muuuuuuita preguiça. Até Jesus, pasmem, professou a indolência naquele sermão da montanha (não eu não vou escrever em maiúsculo, eu mesmo já dei sermões em algumas montanhas do Vale do Paraíba). Cmmplexo foi procurar isso na Bíblia, achei: "Contemplai o crescimento dos lírios dos campos, eles não trabalham nem fiam e, todavia, digo-vos, não se vestiu com maior brilho." Bom, eu nunca vi nenhum lírio em Santo Amaro, mas juro que eu poderia passar horas olhando o crescimento de um xaxim gigante. Descansar é saúde! Trabalhar é moléstia! É como na arte do ladrão “Roubar é fácil, queria ver pegar na enxada”. Bom, cleptomaníaco é ladrão rico. O ladrão é só um cleptomaníaco pobre.

Tempo é dinheiro? Façam, então, a experiência de pagar as suas dívidas com o tempo. O mais perto disso que podem chegar é penhorar o relógio de vossos pulsos. Nisso eu concordo com o Barão de Itararé. A preguiça é a mola para um salto qualitativo na vida, só que ainda presa acumulando energia para estalar de uma vez só. Mantenho-me inerte, parado e contemplativo. Um dia eu ajo, um dia eu me movo. Nesse dia, cuidado, posso ir muito mais longe do que aqueles que madrugam e arrostam a labuta filha da rima. Vejam só a agricultura que ridícula. Vou provar agora que trabalhar é coisa de criminoso.Não aceito a profissão de agricultor. De fato, a agricultura é a primeira manifestação do trabalho servil na humanidade. Segundo a tradição bíblica, o primeiro criminoso, Caim, é um agricultor. Rá! À medida que a máquina se aperfeiçoa e despacha o trabalho do homem com uma agilidade e uma precisão incessantemente crescentes, o operário, em vez de prolongar o seu repouso proporcionalmente, redobra de ardor, como se quisesse rivalizar com a máquina. Oh concorrência absurda e mortal!

Isso tudo pra dizer que estou desempregado e à procura. Podem rir.

Janeiro 17, 2010

Ai de ti, Haiti.


Não me comovo com quase nada, mas a catástrofe haitiana é de abrir fendas nos espíritos mais monolíticos e suínos. O ímpeto humatirário que emana do mundo em direção ao Haiti é louvável, mas a compulsão pelos holofotes midiáticos sempre nos deixa com um pé atrás diante toda e qualquer notícia de apoio à causa. Pensamos: "Se era pra ser uma ajuda desapegada, completamente altruística, como diabos EU fiquei sabendo disso? Daqui do meu palacete suburbano? E porque diabos esse homem que encabeça a operação X está sorrindo e usando um boné com logotipo? Será que o efeito não é menor do que a auto-promoção do ato em si?".

Em muitos casos é sim. E não somente de jornalistas amorais, mas de líderes governamentais que preferem agendar e entregar para as agências de notícia que irão se reuinir, a  começar o envio improrrogável de tropas. Há centenas de pessoas vivas respirando cal e morrendo de desitradação debaixo dos escombros. O Haiti não precisa de uma conferência para determinar como IRÃO ajudá-los, mas sim de ação imediata. A tecnlogia comunicacional está tão dilatada hoje que o encontro intercontinental só gera perda de tempo. Que o vôo carregando Stephen Harper, Lula ou Nicolas Sarkozy estivesse apinhado de equipes de salvação e não de engravatados meditabundos soltando um "Ai que tristeza, não?" a cada vez que bebericam seus Keep-Coolers rumo a tal conferênca. A American Airlines, por exemplo, está levando gratuitamente profissionais da Saúde para o Haiti. Essa informação chega às pessoas através das mídias digitais. Não é auto-promoção, pois divulgar nesse caso é fundamental, ou os tais médicos e enfermeiras simplesmente não saberiam da possibilidade em aberto.

O tétrico desse ponto histórico é que o Haiti já precisava de toda essa ajuda antes do terremoto. Já sofria consequências amargas de ter sido exportador de açúcar sob batuta européia colonizadora e predatória. Imaginem as confluências sórdidas históricas que fizeram o país estacionar nos século 18 em termos de desenvolvimento social e econômico. O Haiti foi o primeiro país latino-americano a declarar-se independente e ainda assim ... está assim. Da " Liberdade, Igualdade e Fraternidade" parece que só ficaram com o primeiro elemento. Canalhas  obtusos atribuem o insucesso secular ao vudu, como se eles próprios alfinetassem uma almofada com o formato do país. Sugerindo que há uma maldição pairando sobre a cabeça de cada não-cristão daquela ilha.

O fato é que uma ação internacional mais firme e generosa é tão necessária agora quanto antigamente, mas a urgência amplifica esses brados de socorro. Remontar esse país não será apenas de responsabilidade da engenharia internacional, mas de assessoria para montar um Estado forte e democrático no país mais corrupto do mundo. Ai de ti, Haiti, que tem a população mais ingênua de planeta: ao mesmo tem que respiram a poeira dos helicópteros que pousam, despejam e partem, os haitianos aparecem em horário nobre nas capitais ricas do mudo ao darem entrevistas para repórteres de olhos verdes.

Resenha - Cabeça de Turco


Talvez o que nos atraia para andar numa montanha-russa é viver o perigo da morte, mas saber conscientemente que há muita segurança naquela experiência. Ler "Cabeça de Turco", de Günter Wallraff, é parecido com isso. Sentamo-nos confortavelmente atrás das retinas do narrador e acompanhamos todas as etapas do livro-reportagem com muita incredulidade, mas também com um certo afastamento e segurança. Afinal, aquela realidade social é tão bárbara quanto estrangeira a nós. Eis o erro: o turco é análogo ao nordestino daqui. O livro é absolutamente chocante, remonta o status quo da Alemanhã da década de oitenta e a convivência intolerante de raças e culturas incongruentes. Günter efetivamente montou-se de turco com maquiagem prfissional e indumentária caracterpistica. Como mesmo olhar penetrante dos meridionais. Os turcos são uma minoria expropriada de seus direitos civis, marginalizada e abertamente tratada como sub-raça. Günter foi viver para depois relatar. Transformou-se num "Gastarbeiter" (trabalhdores estrangeiros que comem das migalhas do opulento sistema econômico alemão) e penetrou no conservadorismo da sociedade civil da época como um verme num cão vivo, torcendo para conseguir tirar o máximo de nutrientes da fatia antes que o expelissem.

"Cabeça de Turco" é o jornalismo investigativo levado ao extremo. Maquiado? Sim e muito inclusive, ou Günter corria seríssimo risco de se colocar em indisposição com o governo e com entidades empresariais (o que mais tarde aconteceu de fato). Disperta debates éticos sobre a atuação jornalítica, mas não falha em ser um grande relato de diagnóstico de um tempo e de uma cultura determinada. A celeuma ética que levanta-se aí é a do disfarçe, de ludibriar todos, montar uma personagem (Ali) turca e de fato não poder viver na pele todo preconceito e vergonha e rechaço porque é momentâneo. O livro vale como um sumário de toda rupugnância que o estrangeiro ainda desperta no alemão "convencional", mas em certos momentos extrapola o bom senso da realidade a fim de potencializar a discriminação; torná-la "sensacional". Exemplo crasso é quando Günter leva seu "Ali" - sabidamente muçulmano, adulto - para tentar se batizar na igreja católica em caráter imediato e aí, diante de toda negação des três ou quatro párocos, o autor deslancha a narrativa do cristão renegado. Da vocação espirital sendo relativizada e até mesmo da conversão impedida por questões burocráticas. De resto, toda etapa transcrita é digna da construção de um mártir, do arquétipo do "coitado" urbano, incompreendido, distanciado e desprezado.

Evidente que o autor/ator teve de testar toda forma de interação social possível no menor espaço de tempo e aí entra o debate do método da pesquisa empírica. Quando um sujeito presta-se a ir a campo para apanhar informações sobre comportamento humano em determinanada situação, é impossível captar toda a saraivada de respostas que tem. Ainda mais quando se trata somente de um coletor de dados, por isso o belo nome do livro: Cabeça de Turco, que é a mesma coisa que bode expiatório, é um dito muito conhecido na espanha (cabeza de turco), quando uma pessoa é culpada para tirar a responsabilidade dos outros.

O "camaleão" Günter encarnou o operário da construção civil, trabalhando de forma ilegal ou apenas parcialmente regularizada. São realmente tratados como mercadoria, contratados e demitidos de acordo com a demanda. Hoje, os turcos não estão mais na camada mais baixa da sociedade, e sim os chamados trabalhadores do Leste Europeu: poloneses, romenos, operários da construção civil, para os quais os direitos não valem. Independente da "cabeça" que for, a discriminação não é mais relacionada à origem de cada um, mas sim à sua posição social. Neste sentido, já cristalizamos os chamados padrões de terceiro mundo e precisamos de mais Günters para denunciar esses novos paradigmas de preconceito.

Janeiro 16, 2010

A Arte como Fundamento da Cultura

cultura_arte Arte é derivação da Cultura, está dentro dela, é imanência. Emerge de cada um como jorro criativo e compõe o discurso identitário coletivo, Logos; entrando nesse jogo de construção constante do real e da verdade. O entretenimento não. Ele é superestrutura que defenestra a singularidade em nome de um modo coletivo de SER, metafísico, determinando uma verdade que constrói uma realidade idelizada e sistemática.
O entretenimento confundido com arte fez com que Platão só aceitasse a arte que direcionasse o espírito humano para sua teleologia do Belo, do Justo e do Bom, ou seja, a arte como Dever e instrumento para conhecer “A Verdade” (preconizada como única e advinda de um plano superior extra-mundano e extra-sensível). Para Platão o que saísse desse objetivo ou dessa idiossincrasia era pura mimese, ou seja, cópia.
Não entrarei aqui nas diversas fases (e possibilidades interpretativas dessas fases) da Poíesis de Platão. Basta mencionar que a exaltação da criação humana em O Banquete é abandonada em A República, em Fedro e depois tentada uma conciliação em O Sofista.
Nietzsche vira opositor de Platão. Curiosamente, mesmo em oposição, Nietzsche e Platão comungam o sonho da arte como algo mais elevado e redentor no homem (transformador, eu diria), mesmo que por vias completamente diferentes: um [Nietzsche] a partir da imanência e outro [Platão] a partir da transcendência.
Para Platão a arte deveria ajudar o homem a transformar-se virtuosamente naquilo que ele precisa ser para uma sociedade feliz. Por isso a arte que facilita o simulacro e a criação de “irrealidades” era condenada, pois só a representação que nos conduz à racionalidade deveria ser valorizada. Para Nietzsche, no entanto, era justamente essa arte que Platão defenestrava que constituía a força humana transformadora que reformulava o homem na criação de enfrentamentos estéticos da realidade.
Nietzsche em O Nascimento da Tragédia e o Espírito da Música e tardiamente em seus fragmentos da década de 1880, explica como os gregos domaram apolineamente Dioniso e sua sede destruidora e afeita ao monstruoso da realidade mais nua e crua. Esse gênio grego, ao dominar Dioniso, mas concedendo-lhe espaço para viver, transformou a Grécia na mais espiritualizada e artística nação jamais vista, possibilitando tanto a mais refinada arte quanto a própria Filosofia. A queda (chamada por Nietzsche de decadence) veio da retirada sistemática dos aspectos dionisíacos da arte grega: a partir de Eurípedes no Teatro e a partir de Sócrates (o platônico) na Filosofia. 


Um ponto desse texto é particularmente pessoal pra mim. "A queda (chamada por Nietzsche de decadence) veio da retirada sistemática dos aspectos dionisíacos da arte grega: a partir de Eurípedes no Teatro e a partir de Sócrates (o platônico) na Filosofia." eu lembro do bate-barba que tive com o meu ex-professor Leopoldo Weisbort na FFLCH. Ele é/foi/wanna be tradutor do Nietzsch para o português. Eu disse algo como "Nietzsch afirma que a Filosofia nasceu na grécia e morreu por lá mesmo". Levei uam sabatina de quase 30 minutos dele afirmando categoricamente que essa noção foi passada equivocadamente por tradutores burros e bla bla bla... Aí então achei, numa tradução do grande Rubens Roberto Torres Filho, ídolo do Leopoldo, a mesmíssima coisa que eu tinha colocado. Como numa peça de teatro, num timming perfeito, o sinal tocou, era o último dia de aula e ele se safou pra sempre dessa calça-curta.
Para Nietzsche a arte e a possibilidade humana de construção de si próprio na alteridade (no jogo de forças entre as Vontades de Potência) deveria ser o fundamento da Cultura. Para a corrente tradicionalista platônica, a Cultura desperta e legislada teleologicamente deveria ser o fundamento da arte; na prevalência de uma Verdade que não se assume como perspectiva e traduz uma Vontade de Potência absoluta e niilista per excelence. Esse niilismo é decorrência da própria razão elevada ao estatuto de “verdadeira natureza humana” e levada à Vontade de Nada a partir do medo humano da ignorância, do obscuro, da incerteza e do imponderável: um terreno prolífero para a dominação sistemática. A dominação do entretenimento.


[Texto adaptado do brilhante site de Gilberto Miranda Jr, que, por sua vez, inspira-se nest post em Alice Valente]

Janeiro 09, 2010

Prospectando Irmãs

Enganam-se os que esperam uma resenha insolente sobre um par consanguíneo de pequenas. Esse texto é sobre swing mesmo. Errado novamente, oh! rebocetéico, estou a falar da história dos grupos vocais femininos que, usando ou não o sufixo "Sisters", forjaram essa família e produziram grandes momentos harmônicos. Até meados dos anos 20 em algumas partes do mundo, incluindo ele praticamente... na íntegra, mulher só se reunia para cantar quando uma lavava, outra passava e uma terceira engomava. Raríssimas eram as exceções. Nos espetáculos do começo do século vinte a mulher tinha uma função caricata na música não-erudita. Nas Vaudevilles era a de impetrar vozes estúpidas, fininhas e absurdas. Nem se cogitava promover sequer a mais talentosa e voluptuosa delas a intérprete de um solo dito sério, com requintes ou simplesmente num timbre de voz não infantilizado.

Festivais de Vaudeville se iniciaram em New Orleans ainda antes da virada para o século vinte, em meados de 1880. A coisa toda era uma mescla impura pela pluralidade e continha todo e qualquer tipo de arte cênica. Peças teatrais musicadas ao vivo ou paródias sociais de picadeiro aconteciam diante de um público triplamente misto: negros, brancos e mulheres. Era basicamente essa a divisão de castas. Uma de raça, outra de gênero. Particularmente engraçado era o embate étnico permeado pela sutileza ou escracho na transmissão do chiste. Brancos se vestiam e pintavam-se de negros amplificando em sátira os atributos físicos e culturais do alvo das chacotas. Os negros não perdiam a picardia e faziam algo ainda mais genial: ao invés de se vestirem de brancos, eles se passavam por brancos que tentavam imitar negros. Uma belíssima resposta, convenhamos. Ah, e as mulheres só serviam para fazer "Ohhhhh! Uhhhh! Ahhhh!" e emitir "tweets" de passarinhos. Em meados de 1910 Ma Rainey ainda estava a dar pequenas aulas vocais para Bessie Smith, então entendamos que a função feminina na música era ainda somente inspiracional. Ambas ainda viriam ser as primeiras divas individuais da música norte-americana.


The Boswell Sisters
Como a indústria fonográfica nunca havia se direcionado ao público Afro-americano antes, não seria agora que os negros iriam consumir música branca, right? Errado. As Boswell Sisters romperam esse preconceito duplamente, mas isso já em meado dos anos 1920. Além de serem três jovens de pouca melanina, uma delas ainda era cadeirante. A polio havia posto Connee sob limitação de não pode ser mover da cintura pra baixo. O primeiro disco em 1925 não chegou nem perto do ápice nacional e ficava nas rádios locais. Precisou, como todo clichê do paradigma anonimato-estrelato, mudarem-se para uma cidade grande, no caso, New York. Desse momento em diante, sob a batuta de Conee - principal harmonizadora do trio - e sábias parcerias com Glenn Miller, Eddie Lang e Benny Goodman, tornaram-se o trio vocal inspirador para absolutamente todas as vindouras "sisters". E tem uma penca delas.


The Andrew Sisters
Mais lembradas pela música rica em otimismo e caracterização em shows, as Andrew sisters eram reverenciadas pelas tropas americanas duarante a Segunda Grande Guerra. Com mais de 1,800 gravações ao longo da carreira, as irmãs venderam mais de noventa milhões de discos. É uma quantia assombrosa até para uma realidade contemporânea. Com clara inspiração nas Boswell, vieram todas de Minneapolis e certamente foram as que mais penetraram no universo do swing, da Big Band's Era. Mais tarde untaram-se de música sulamericana, enveredaram-se ao boogie-woogiue e terminaram a carreira com o que chamo de percurso irretocável. Patty era a soprano, Maxene a segunda soprano e LaVerne completava o som do trio com um ressonante contralto ou baixo. Bei Mir Bist du Schoen, uma música Yiddish, foi o que as arremessou dos estábulos à glória.



Chordettes
"Mr Sandman, bring a dream" é o grande brasão desse quarteto de lindísimas garotas. O grau de requisição para shows e aparições era tão alto que o empresário certa vez brincou dizendo "Ok, should I split them into 8?". Desde Alan Freed até Ed Sullivan sallivavam (haha) diante da urgência de tê-las ao vivo. O grande mérito do quarteto era uma mistura alquímica de entre sensualidade tácita e um timidez prudente. Isso era um bálsamo para a horda de homens que começava a contemplar a sexualidade um pouco mais explícita na conservadora TV americana. As Chordettes sintetizam o espírito da juventude cinquentista: voz doce saia rodada, mas sem nada por baixo.



Dinning Sisters
Essa foram grandes injustiçadas. Até hoje quando faço minha messiânica tentativa de apresentar boa música aos néscios, encontro aquele sujeito que não é nada obtuso e até cita as Andrew Sisters, mas nunca ouviu falar das Dinning. A formação desse trio foi toda concebia na igreja local, pelos pais diretores do coral da região. De lá rumo às rádios pequenas e então direto para as gravações com Herbie Holmes. Como gosto de tradição na coisas, vou injustiçá-las e fazer desse um post menor do que os das antecessoras.




McGuire Sisters
Outro grupo de origem "igrejosa". Meçamos o tamanho do sucesso com a seguinte ordenação de coisas: cantando para praticamente aldeões numa claustrofóbica igreja e depois na Casa Branca para cinco presidentes ao longo da carreira, com direito a contratos com a monolítica Coca-Cola. Cristine, Dorothty e Phyllis impetraram 46 anos de trio. Billboard era café-com-leite, trivialidade pura.Sincerely," "Picnic," "Sugartime," "He," "Something's Gotta Give," "Just for Old Times Sake," e a deliciosa "Goodnight, Sweetheart, Goodnight." ecoam até hoje no imaginário coletivo dos cidadãos com melhor gosto musical do mundo.


The Puppinni Sisters
Agora temos coloração na foto. Elas representam uma vanguarda futurística retrô, um revival, um nostálgico regresso que arrebata desde a primeira faixa. Com Marcella Puppini e as inglesas Stephanie O'Brien e Kate Mullins, o trio ainda permanece no limbo do que chamo da "fama seletiva". Ou seja, ainda não galgou uma aparição no David Letterman, mas nenhum amante de jazz vocal em swing deixa de citá-las como proeminentes. O repertório vai desde releituras dos clássicos das supracitadas até versões brilhantes de discutíveis bobagens como Wuthering Heights. Brilhantes na medida que você consegue facilmente apagar todo e qualquer registro da música e substituir mental e eternamente a original pela versão das Puppini.

Outros nomes não aparecem aqui por uma simples questão criteriológica:  ou não me agradam tanto ou não tiveram papel tão determinante quanto o resto da lista. The Fontane Sisters, The Spivey Sisters, The Shillelagh Sisters, The Chenille Sisters, The Barry Sisters  (russas!) e as gloriosas integrantes do Rouge. Asererê Rá Derê. Eis aqui uns samples das Sisters citadas nesse post. E, por último, sem nenhum demérito...

The Spice Gir...

NOT!

Janeiro 04, 2010

Mão na Cabeça! De joelho! Em nome de Jesus...


Quando se fala em "Tráfico de Drogas no Rio de Janeiro", parece que evocamos um nome próprio, uma entidade com CNPJ ou algo que antropomorfize a coisa.  Mais cedo ou mais tarde um dos que estiverem envolvidos na conversa soltará um inconclusivo "É... é complicado". E provavelmente o assunto morre por ali, já que a problemática chega num núcleo paradoxal infindável:
A polícia é paga pela sociedade civil contribuinte para combater o tráfico; mas é essa mesma população que paga os traficantes pela mercadoria.

Vamos, tente equacionar esse entroncamento. É... é complicado. Numa espécie de "exame alternativo" dessa doença social, os cienastas Jon Blair e Tom Phillips resolveram radiografar o tráfico de drogas no Rio de Janeiro numa produção chamada "Dancing With the Devil". Executaram isso numa tripla convecção de arquétipos sociais envolvidos: o traficante, o policial e, agora, o pastor evangélico. Calma, não vamos concluir nada ainda. O mérito da dupla que encabeça a produção foi de conseguir uma incursão tão profunda na vida dos envolvidos que o espectador em inúmeráveis momentos teme pela vida da equipe de filmagem. Não só pelo evidente samba ao lado de artilharia pesada, mas pela proximidade pessoal e as penetrantes perguntas direcionadas aos bandidos dos três lado. Sim, é risco de vida acuar traficante, policial carioca e dogmas.

A grande ironia é o filme ter alguns problemas de cunho "interpretativo" e não ser ficção. Nota-se uma incessável atuação hollywoodiana vinda dos policias com a intenção de parecer "bad ass", valentão ou incorporado de um espírito Clint Eastwood. Seja Holly ou Clint, "a cara de wood" diante das câmeras é cabal. Bem no começo do filme o Comandante acende um charuto! Quem em sanidade mental fuma charuto enquanto invade uma favela? Ou você segura um charuto ou um rifle com as duas mãos. Aliás, os civis passantes agradeceriam a concentração numa das duas coisas. Assumir um caráter de diferenciação de figurino até é legal, encorajável, mas menos.

Falando em parcialidade pra um dos lados (mediados por um pastor mais inclinado para o crime) digamos que o filme, se fosse um jogo de futebol, a posse de bola estaria 65% a 30% em favor  dos "metralhas"e 5% de dízimo pra Deus e seus et ceteras. A inserção do elemento religioso, do misticismo pentecostal foi muito bem aplicada pela dupla inglesa. Apesar de um tanto "eterna" demais, a participação de Deus no documentário transforma o clima, que já é de guerrilha, numa tortura aos laicos. Uma infusão de mazelas humanas é exposta sem sinergia nenhuma pelo diretor, o que misteriosamente gera ainda mais energia de tensão. O caos nos dá agonia e o que era pra ser falha de roteiro vira golpe estilístico certeiro e bem sucedido.  Pelos conflitos pessoais, declarações fortíssimas e apelo visual caótico, o cotidiano da favela foi mais filmada do que os relatos policiais. Entretanto, o bom é que você não percebe do começo ao fim de que lado fica o diretor. Essa equidistância pragmática foi dosada com mestria, tanto que o highlight dos depoimentos mais viscerais e emotivos fica por conta do filho de um policial e pela mãe do traficante central do documentário.

Não sei se Jon Blair e Tom Phillips, ali do alpendre linguístico deles, puderam flagrar algumas situações tragicômicas específicas em português. Uma delas é que o filme tem legendas em inglês, claro, e em algumas partes foi reamente preciso lê-las pra entender o que os sequelados traficantes-usuários tentavam balbuciar. Outra coisa é a figura do pastor proselitista e super conciliador que galga concordância entre os marginais e Deus, mas sequer consegue concodar  verbo e substantivo. O engraçado em grande parte dos evangélicos é o recorrent uso de termos bíblicos arcaicos e em seguida uma tropeçada no português moderno. Algo como "Os fiel, em 'pifania', 'reverenciaru' a Deus". Em determinada cena  o policial solta aquela frase de sempre: todo dia saímos de casa sem saber se voltaremos. Oh, belo, coitado. Uma possível réplica pertinente do favelado seria: todo dia acordamos em casa e não saberemos se um fardado valentão nos deixará vivos, lá mesmo.

Um aspecto fortíssimo dessa produção é sublinhar o quão influente é o componente religioso. Já ouvimos fanáticos iludidos dizerem que determinado pastor salvou suas vidas. O caso é que durante as filmagens, por mais de uma vez, o pastor literalmente salvou a vida do sujeito, pedindo clemência para os traficantes não o executarem. E o incrível é que eles conseguiram em TODAS as tentativas. Isso que eu chamo de Comando Vermelho do Reino de Deus. O BOPE é que deveria ter um pastor em cada diligência. Bastou o bispo chegar, numa kombi lotada de evangélicos, na entrada da uma favela controlada pelo Comando Vermelho, para os sentinelas de AR-15 largarem dos fuzis, baixarem a cabeça e escutar brados dogmáticos. Facilitaria muita incursão por aí. "Capitão! Os meliantes já estão orando, pode mandar a cavalaria em nome de Jesus!"

Em suma: todo jovem favelado queria ser ou boleiro ou pagodeiro ou funkeiro. Só que o futebol dá um olé nas aspirações do jovem, o funk dá um pancadão nos sonhos e o samba os deixa de "cuíca" nas mãos... já o tráfico abraça. A igreja evangélica tem a rara capacidade de fazer as três primeiras sensações parecerem com um abraço pleno. Essa "terceira via" parece ainda mais mortificante quando seu representante crucifica com uma mão e embala o pó com a outra.

Dezembro 30, 2009

A Incrível Máquina da Morte - Premonição 4



Aquele mantra tecno, encenado (circo é assim) por Fergie e Black Eyed Peas e repetido a exaustão pelos hormonais adolescentes, finalmente encontrou uma aplicação. É mais ou menos assim: "I've got a feeling / That Tonight is gonna be a good night" (envergonhe-se se depois de 15 segundos daqui ainda estiver solfejando essa coisa). Hoje assisti o tal Premonição 4. Depois de três tentativas do roteirista de provar que a Morte é má pra cacete, absolutamente inexorável e, sobretudo, dos demônio, não esperava muito dessa. Acho que nessa quarta  - e dizem derradeira - tentativa, captamos vossa mensagem, oh! "cabriocrático retombante mediocrático" escritor. Só que tonight não será a good night nem aqui nem em Quixeramobim. Aprendi coisas pontuais depois de assistir a esse filme:

A morte é da pá virada. Não só dela virada, mas em espiral rotatório em direção a sua cabeça. Outro ensinamento é de que mortes old school não estão com nada. Câncer, infecção bacteriológica intestinal, afogamento, AIDS, isso tudo é coisa retrô, oitentista, sem mercado e sem futuro (!). A nova toada é morrer com um motor de stock car fervente no seu colo depois dele viajar a 200mhp e provocar um desabamento de vigas de concreto no resto da plateia. Em Milão a moda é morrer depois e infinitesimais combinações não só do destino, mas de filhotinhos da mãe Morte que desaparafusam, cortam a fiação do alarme e tranformam moedas em projéteis de grosso calibre. Endiabrados... Depois de Premonição 1, 2, 3 e o 4, a Morte, enquanto cidadã, pessoa física, está com um boníssimo humor e dilatação nas veias criativas. A Morte está trabalhando com uma motivação operacional jamais vista desde os improvisos sádicos dos católicos nas Cruzadas, quando - dizem - empunhavam nada mais que uma cruz, um cantil e pederneiras. Hoje a morte não empunha nada, ela ampulheta sua vida num tic-tac que faz você ter medo inclusive das potencialmente letais balinhas tictac.

Ao final do filme comecei a respeitar a produção pela divertida experiência de simplesmente poder fazer a próxima comparação. Quem jogou Incredible Machine fará um paralelismo imediato com a saga Premonição. Pra quem não teve o gozo de jogar, ele era um puzzle no estilo abertura antiga do Ra-Tim-Bum onde rato corre atrás de um queijo numa esteira que faz puxar a rolha da garrafa d'água, que enche o copo... No final da abertura do programa infantil todo esse encadeamento de ações aparentemente frívolas desemboca num reles assoprar de velinhas. Se fosse em Premonição teríamos veLHinhas em chamas.  Enfim, de um filme insubstancial, com atuações mais pobres que pequenos investidores na fila de banco em 1929 e enredo sofrível, consegui dar risada. Sorry, roteirista, talvez não fosse exatamente a reação que você gostaria de causar. A Morte tem um senso de humor burlesco e fantástico; é definitivamente uma Máquina Incrível... but evil.

Dezembro 23, 2009

Crappy Feet - TaTaTara-Ta!

Um post quase quatro anos atrasado com a temática já diluída no tempo, mas ok, adiante. A animação em 3D Happy Feet foi lançado no Brasil em 2006 e me recordo da euforia que fui ao cinema na esperança da me defrontar com mais uma trilha sonora grandiloquente, com ênfase - claro - nas canções que embalaram os grandes sapateadores. Já fui ressabiado com medo de encontrar mais uma produção com pano de fundo ambiental, degelo das calotas polares ou pesca predatória. Ambientalismo é uma mentira travestida de indústria em muitos casos, principalmente o do aquecimento global, mas isso não é assunto pra esse site. Fui ao cinema, então, no auspício de encontrar menções a quem sabe um passinho de  Fred Astaire, um Ginger Rogers, a belezinha da Shirley Temple, o áspero John W. Bubbles, Charles "Honi" Coles, Vera-Ellen, Ruby Keeler, o carismático Gene Kelly, Ann Miller  (que dizem ter sido a sapateadora mais rápida de todos os tempos) ou meus pardinhos perfeitos dos Nicholas Brothers. Confesso, amigos, sonhei. Dentre todos esses heróis eu queria algo mais simples, queria uma menção a uma banda específica que vocês concordarão comigo: tinham de estar na trilha sonora do filme. Meu desejo era ouvir ali a música "Happy Feet" da banda de jazz/swing americana 8 1/2 Souvenirs (de nome inspirado na fantástica obra de Fellini). Sim, eu acho que já estava querendo muito, mas se não estivesse presente no filme essa música, todo ele entraria numa zona cinza de desapontamento parcial. Oh foolish me... se soubesse que esse deveria ser minha menor preocupação. O filme começa e a Pousada do Sandy, ela continua firme e forte no imaginário coletivo dos cinéfilos, obrigado.

- "ahm... conheço essa voz "mimimi" estrogênica e chorona não sei de onde" - said Luiz to himself. Sim, era Elijah Wood, o Frodo, quem interpretava o protagonista.

Como num bônus por colisão em alta velocidade no Carmageddon, outra música se apresenta! Sorrateira, daquelas que começam com um uma só corda do violino monotônico. Ah, aí já me excitei. Quem seria? Artie Shaw? Benny Goodman, Duke Ellington Orchestra? Seria de cara o 8 /2 Souvenirs vociferando a deliciosa música Happy Feet num canto ítalo-americano irrepreensível e dançante?  Ah, que esplendor! Era Prince.

"PRINCE?!!!!!!111 eleven one" - capslockeou-se Oak to himself.

Esse mesmo. O cara que mudou o nome pra um símbolo impronunciável e que agora é testemunha de Jeová, mas que ainda consegue manter um "suingue" de matar, dizem as diaristas dos anos 80. Sim, aquela efígie andrógena com voz de eunuco e cavanhaque de michê portuário. Voz fina, fraca e repleta de melismas, como gemidos de um coito bestial. Cara, eu estava esperando sapateado! E o pinguim é Elijah Wood (isso não sai das minhas sinapses). Acho que eu até teria curtido o filme se o pinguim fosse o Jack Nicholson. Mas o Jack já foi o Coringa no Batman, ele não pode ser o Pinguim. Anyways.

-"Calma, isso deve ser o diretor pagando favores ou diversificando o caldo cultural da produção.." - said Oak to himself, mas não deu tempo.

Hip-hop! Aí então Robin willians, Pink, Brittany Murphy e  Gia Farrel! E lá vem aquelas orquestrações tipicamente disney de qualquer porcaria que tiver compasso e melodia. Eu me pergunto: será que um cara que se devotou a tocar HARPA, por exemplo, que não é um instrumento que qualquer infante semi-letrado tem vontade de aprender, será que esse sujeito não tem a menor relutância em prestar serviços à descontrução musical nas megaproduções? É evidente que não! É como se um neuro-ciruguão formado em harvardYaleMassachussetsMotherFuckerCambride largasse tudo pra ser acupulturista em Praia Grande. A trilha sonora (ou menor, trilho sononro, porque é um atropelo de trem) tem até  raps jamaicanos daqueles em que o afro-singer compete com um narrador de jockey pra ver quem é o mais incompreensível. O que geralmente dá empate. Nessa via crúcis carnavalesca de atrocidades, incluam um filme de enredo ruim (resume-se com um SIM, os humanos pescam!) e variedade gráfica parca (gelo é braco e sempre será BRANCO). Como diria um amigo meu "Eu prefiro ter um vilho viiiiado do que ter um filho gráfico" (?!).

Sábias palavras. E o ingênuo aqui, na espera pela vedete da festa ser "Happy Feet" saí de lá com pés paradoxais, o andar mais melancólico de todos os tempos. E com cara de pinguim.


Escutem aqui a tal versão que teria sido perfeita pra o filme e comentem o que acham:

Dezembro 20, 2009

The Arterminator

http://img198.imageshack.us/img198/3185/dsgfgfdgh.jpgQuando Diego Velásquez pintou Las Meninas em 1656, o artista não calculava que essa seria uma das obras mais estudadas de todos os tempos, devido à complexidade subliminar no arranjo das personagens. Agora imagine qual repercussão teria nas belas artes  uma pintura concebida por um robô. Há valor artístico na produção mecânica da arte, mesmo com o mais sofisticado sistema de inteligência artificial? Já não era suficiente o que o séc. XX fez com elas, tornando-as multiplicáveis em suas reproduções? Aparentemente estamos indo além:  lata de tinta pode tomar o lugar do hábil homem sensível e emocional. Um recente projeto protótipo da Motion Code Blue vem para polemizar ainda mais esse assunto.

• The “Art”erminator
Xirrou, ao invés da divisão psicanalítica do homem em id ego superego,  condensa sua existência em somente dois elementos bem fáceis de entender: compartimento de tinta e patas.  No lugar onde a impressão das imagens é feita (na região onde seria a barriga de uma aranha) pequenos ejetores de um dos oito compartimentos de tinta trabalham rápido.
Graças aos sensores de presença de obstáculos, é possível largar Xirrou agindo independentemente pela sala, uma autonomia comparável a de um pintor humano em seu próprio atelier. Incansável, recarrega sua própria bateria, possui membranas sintéticas pulsáteis que podem fazer um desavisado acreditar na existência do maior inseto do mundo ali na parede. Isso porque design e movimentação foram projetados para exprimir vivacidade. Seus três motores independentes em cada pata e acessórios extras para incrementar a aderência tranquilizam os que eventualmente estiverem bem debaixo do Xirrou.
• Inspiração
Claro que há no núcleo dessa criatura tech-artsy muitos dados pré-programados indo desde banco de imagens, até comandos que estimulam a aleatoriedade da arte abstrata. Entretanto, sabemos que quanto mais informação num computador e melhor o processamento desses dados forem feitos por softwares de solução de problemas, mais a inteligência artificial é aprimorada. O improvável, aleatório e o insólito são atributos tanto do cientista quando do artista. É muito comum um invadir o campo de atuação do outro. Adaptemos o que Max Weber propunha: no final das contas, ciência e arte são as duas grandes vocações humanas. E agora, quem sabe, mecânicas também.

Dezembro 18, 2009

BioHackers - Open Source do Genoma


Daqui até o último ponto final, consideremos a metáfora de que a vida é um site da internet com um "counter" invisível determinando o tempo que esse site ficará no ar. A pertinência dessa metáfora cresce à medida que jogamos sob a luz o conceito de biohacker ou paradigma biopunk. Os seguidores desse movimento recente partem da premissa que o código genético humano é desvendável, a utilização das informações extraídas dele é desejável e essas devem ser compartilhadas. Como se abríssemos o código fonte de um site e estudássemos linha por linha o "HTML" que o monta, sabendo que em determinado lugar haverá sempre o comando exato que alteraria nossas características em detalhes. Cor de cabelo, altura, tipo físico, predisposição para doenças e tudo mais que é relacionado à estrutura de um ser humano. Eis uma perspectiva sedutora, não?

BioÉtica e Social Media
Esses biohackers, portanto, advogam em favor de uma transparência na distribuição dos resultados das pesquisas feitas nos grandes laboratórios mundiais. Só que de forma alguma ficam imóveis aguardando por outro sujeito gritar "EUREKA" e vender sequências perdidas no genoma humano. Enganam-se aqueles que pensam que esses hackers biológicos são vilões da ciência, nomes banidos da bancada dita séria da genética e irresponsáveis charlatões. Há muito mais semelhança entre eles e os primeiros criadores do Linux do que com corsários ou terroristas. Muitos são renomados cientistas com uma visão mais cosmopolita e libertária perante a tão promissora biotecnologia. Querem fazer open-source do genoma de todas as espécies.

Alguns deles estão no Site 23andMe que aparece com um slogan sumário, sintetizando toda intenção dessa abertura da genética: genetics just got personal. Nele você paga uma determinada quantia para ter seus genes estudados, suas fraquezas e potencialidades genéticas indicadas e um traçado histórico de que lugar do mundo e em que época seus genes eram mais prósperos. Isso desponta para uma série de questões éticas: até que ponto há garantia do resguardo das informações? Em Londres uma funcionária foi submetida a estudo de seus genes e acabou demitida, pois identificaram uma doença degenerativa hereditárias. Só que essa disfunção ainda não havia se manifestado e isso só aconteceria dentro de uma década ou mais.

Incrementando seu código Fonte
Uma doença como a dessa londrina, que arrebata gerações de pessoas da mesma família, pode ser somente um colchete aberto e não fechado no código HTML desses desafortunados. Comportamentos psicóticos podem não passar de uma linha de código executando um aplicativo em flash de um site malicioso. Ter talento musical poderia ser só o procedimento de inserir um dispositivo de mídia. E é esse aparente simplismo que ouriça os opositores que alegam banalização da ciência em direção a soluções particulares de problemas fúteis. Os cirurgiões plásticos bem conhecem essa diligência contra seu campo de atuação.

A engenharia genética, a biotecnologia e todo tipo de ciência nasceu com o propósito fundamental: facilitar a vida humana, diminuir a dor e proporcionar desenvolvimento para nossa raça. Nesse website que é a vida, mesmo que laicos não aceitem a existência de um WebHosting (Deus), deve haver regulamentação e critério no uso dessas ferramentas. Os BioHackers estão somente tentando dar um uso "civil" a esse código fonte cada vez mais divulgado pelas mídias. Só o HTML do "counter" (a vida) que é criptografado demais para manipular, mas de "header" a "footer" com a biotecnologia pode ser possível desde rejuste de coluna até, para os mais namoradeiros, um contador de "visitas".


Glossário:
- HTML : é uma linguagem de marcação utilizada para produzir páginas na Web. Documentos HTML podem ser interpretados por navegadores.
- counter : contador regressivo ou progressivo de unidades.
- Linux : sistema operacional para computadores compatíveis a UNIX que é possível retirá-lo (fazer download) da Internet gratuitamente.
- WebHosting : Hospedagem de Sites (Alojamento em Português europeu) é um serviço que possibilita a pessoas ou empresas com sistemas online a guardar informações, imagens, vídeo, ou qualquer conteúdo acessível por Web.
- Eureka! Eureka : Arquimedes teria saído à rua nu, gritando "Eureka! Eureka!" ("Encontrei! Encontrei!"') após definir os princípios da Estática e da Hidrostática.
- Footer : legenda de pé de página, legenda que aparece no fim das páginas de um documento.
- Header : cabeçalho, legenda que se repete no inicio de todas as páginas do documento

Dezembro 17, 2009

Orkitsch

Wellcome to Orkut, rede intercontinental da depravação atroz. Um lugar onde se encontra desde organizações sociais complexas até propaganda de micaretas homoeróticas no Largo do Arouche. Tratam o Orkut com muita importância, talvez mais do que mereça. Sob procedimentos cartesianos, evocam-se estatísticas sobre etnias de maior participação, temática mais debatida e até professam que o Orkut é o novo paradigma da comunicação online. Bobagem, se for pra falar de circo, cubra-me com uma lona que eu pulo no palco do escárnio. Orkut é formação de quadrilha! Problema carro-chefe: há todo tipo de gente ali. Gente acéfala, gente com hidrocefalia, serenos, intempestivos, com tempo de sobra, apressados, semi-letrados, ourives do léxico, comunistas, tocadores de realejo, fisiculturistas, esquizos, apicultores e me lembro inclusive de uma professora de taquigrafia em pleno século XXI. Poderiam ser inofensivos, excêntricos ou toleráveis se não tivessem tido a oportunidade – apadrinhada pelo Google e IBAMA – de estabelecer comunicação entre si. Aí mora o perigo! Verdadeiras mutações comportamentais apareceram desde então. Então no exato momento em que trocam suas idéias canhestras sobre assuntos os quais não têm sequer o domínio superficial, começam a influenciar outros iguais. É uma pandemia de difusão dessa névoa impenetrável, nesses códigos linguísticos destruídos e da desinformação. Tenho saudades da era dos ignorantes, pelo menos não obtinham nem compartilhavam versões infantilizadas e deturpadas dos fatos.

Baudelaire uma vez disse: “Junte uma virtude humana a um vício que terás como resultado uma lágrima”.Quem vai chorar por essa nova raça de idiotas.com sequer será a orla acadêmica, geralmente levando 10 anos pra estudar efeitos psicossociais numa nova forma de relação humana; nem serão os familiares que chorarão. Serão os de intelecto-maior que estão também participando da exaustão de potencial que sites de relacionamento como o Orkut sofrem. Tinha TUDO pra dar certo e virar uma nova praça grega dos debates ricos. Deu tudo errado. E não falo só da “formação de quadrilha” e da união nociva que ali se faz de gente estúpida em prol de uma formação de idéias de entretenimento patético onde sequer (e muito menos) respeitam-se as formas da língua pátria. Falo aqui do paradoxo dos efeitos gerados: desaprender ao tentar aprender. De ser escória intelectual mesmo estando na frente de um computador tentando se sofisticar. De achar um belo monte de vícios, quando procuravam-se virtudes. Os egos se insuflam, as citações dos imortais da literatura se propagam sem contexto, as angulações das fotos cada vez fazem peitinhos desformes virarem tetas de polacas firmes.

Dado os personagens, o cenário agora vamos à peça propriamente dita. E o “vamos” aqui não é retórico. O trabalho é nosso. Basta nos logarmos e continuar a fazer o que melhor fazemos: matar o tempo e junto com ele tudo que em milênios desde a invenção da escrita demorou para se configurar como conhecimento. Aquela névoa densa e impenetrável de que falei, hoje pode ser considerada a linguagem. E não m venham dizer em ajustes, em sintonia fina com os códigos modernos, que a linuagem evolui com a sociedade. Para dizer tal coisa, você teve de usar o bom e VELHO português=-bem-escrito para expôr seu ponto antagônico ao meu. Parafraseando Jesus: “Quando mais de dois mentecaptos se unirem em meu nome, não estarei necessariamente ali. Bad bad Server”.

Kitsch é um termo de origem alemã (verkitschen) que é usado para categorizar objetos de valor estético distorcidos e/ou exagerados, que são considerados inferiores à sua cópia existente. São freqüentemente associados à predileção do gosto mediano e pela pretensão de, fazendo uso de estereótipos e chavões que não são autênticos, tomar para si valores de uma tradição cultural privilegiada. Eventualmente objetos considerados kitsch são também apelidados de cansados no Brasil, ou "pirosos" em Portugal. A produção Kitsch surge para suprir a demanda de uma classe média em ascensão, que não conseguia entender e aceitar a arte de vanguarda, com suas propostas inovadoras, mas desejava participar do "universo da arte. Esta parte da população não teve a sensibilidade artística educada e, portanto, não desenvolveu o gosto, mas queria parecer culta e apreciadora da arte, porque isto lhe conferia status social

The Best of Brain"Strume"

O divertido é não dar o contexto.


• Aposto que ele aprendeu tudo isso jogando "show do milhão" no Mega Drive.


Uau! Assim meu intestino é capaz de sair pelo meu e te agradecer pessoalmente.


Acho que vou fazer no tamanho daquelas bíblias-chaveiro. Pelo menos posso dizer que meu Trabalho de Conclusão de Curso tem 5 mil páginas.


As belas artes seduzem sofisticadamente uma mulher; a música de hoje então é um tapinha na bunda de alguém no metrô.


Acho ótimo o curto espaço de atenção da TV. Se alguma coisa é tão complicada e densa que não pode ser explicada em 30 segundos, não vale a pena ser conhecida.


Essa história de canto lírico é muito mais maduro do que pretendo ser.


Devo tanto que se eu chamar alguém de "meu bem", o banco toma!


Bom, agora que meu mp3 Player já está quase com funções de um barbeador elétrico, onde está o manual de instruções?


O problema da arte-moderna é não saber quem está zombando quem.


Se o conhecimento fosse um campo de obras, o filósofo seria o engenheiro responsável. O historiador seria o mestre-de-obras; o geógrafo, o biólogo, o médico e o cientista político seriam os consultores técnicos. Já os jornalistas, meros peões de obra... e o poeta, ahhh, o poeta! O mais feliz de todos, seria o peão de obra desagregado do bando laborioso que, após bater um rango caprichado e tomar uma branquinha, deita-se num tapique e corteja desavergonhadamente uma empregada gostosa com dizeres pouco educados: "Ôôôô lá em casa, hein?!


Tudo nessa vida é uma questão de sufixo. Finlândia, Islândia, Nova Zelândia foram classificados como os países menos corruptos do mundo. Vou me mudar do Brooklin para Vila Brasilândia!

As Horríveis Obsessões de Robert Crumb

Robert Crumb é dolorosamente honesto. Foi de desenhista de cartão postal à cheff das cozinhas eróticas mais repulsivas da arte moderna humanística. O ingrediante principal dessa mudança de "emprego"? O ácido. Em suas auto-biografias cartunísticas temos cóleras de ver a auto-degradação que faz exatamente por se enquadrar no perfil dos seus leitores: fãs deslumbrados com a possibilidade de protestar contra qualquer coisa que se mover ou respirar aerobicamente. Esses fãs de modo geral não sabem que são o alvo do escárnio no final das contas. Robert Crumb nos remete à multi-arte. Um neurótico sexual, repleto de monomanias resultando em milhares de quadrinhos obscenos, mas ao mesmo tempo desafiadores à compreensão. Picaresco multi-esteta, incoerente poluidor de cenários, irrevente impressor de estilo anárquico com pincel hamatófago que chupa o vermelho da idéia e cospe-o numpreto e branco que você jura que é colorido. Crumb é alguém que bebeu de uma moringa barroca e escarrou pedaços da própria gengiva tracejando o que aparentemente era desnecessário numa gravura, retrato, cartoon e fazendo garoar esses pedaços numa profusão infinita de detalhes. Não entendeu? Não! Bravo, cazzo! É claro que não era pra entender. E se você interiorizou um "sim, saquei, bicho", então você está chapado e dando crédito demais às borrifadas aleatórias de conceitos aliterados.

Crumb é conhecido por ser um artista absolutamente perturbador, de fundo cult, intelectual, prafrentex. Gera em mim a famosa frase "Se isso é contra-cultura e parece tão absurdamente cultural, com quantas patas andam aqueles a quem Crumb satiriza"? Pois bem: duas. O grande lance de ler Crumb é achar que os retratos e os tipos sociais "escarrados" são caricatos, são dignos de galhofa, são piadas estáticas, quadrúpedes, vendidos para o "Sistema" [sic], mas... aí acontece aquele momento de compreensão atordoante: quem ri das mazelas traçadas pelo autor está rindo de si próprio. Sem exceção. Veja os principais personagens que Crumb já criou:

Ele mesmo é personagem. Criador de todos os outros, matriz da sacanagem, da aniquilação do provincianismo burguês e ao mesmo tempo do "bicho-grilismo" dos que só queriam protestar mesmo sem saber contra o que. Crumb criou e chocou milhões de leitores, tanto fãs como incautos que se depararam com suas atrocidades gráficas... e brilhantismo.



Em 1965, Crumb entrou na onda do ácido e despirocou, literalmente. De consciência completamente alterada, o cidadão entrou numa sequência interminável de momentos criativos e esboços de personagens. Aí apareceu o Snoid, Flakey Foont, Eggs Ackly, Shuman the Human, and, o que vemos ao lado: Mr. Natural. Meio homem meio santo esse era o guru de todos. Doador de saberia, destruidor dos ingênuos.


Talvez o mais famoso personagem de todos foi Fritz . Crumb inspirou-se na personalidade de 2 gatos que moravam em sua casa (!!!!) Wow, para você chegar a uma conclusão sobre a idiossincrasia felina aprofundada, o ácido deveria ser de altíssima qualidade e forte poder de infiltração nas sinapses. Fritz era um boêmio com a vida sexual mais ativa do que a de Frank Sinatra, George Clooney e Rocco Sifredi juntos. Gravou-se 2 longas-metragem com Fritz. Só que crumb ficou tão puto com a popularidade do personagem que o matou em 1972 com método Leon Trotsky de furador de gelo no cérebro.


Esse é o Whiteman, apresentado ao mundo na Zap Comix #1. Esse era o sujeito que tentava manter a pose, mas tinha muita merda dentro dele e seu peito quase explodia. O sujeito foi raptado por um Yeti e levado à floresta conde começou uma coexistência harmônica com os bichos. Maníaco sexual nas horas vagas.


Esse é o Snoid, parido por Crumb no ápice do consumo de ácido. Ele é capaz de qualquer ato sexual e qualquer hora e por quanto tempo quiser. Digamos que ele é a "cartunização" de uma pessoa muito ligada ao trabalho de Crumb... ele mesmo. Ele pode aparecer no esgoto ou num leilão e, por ser diminuto, ele ataca ou as partes genitais diretamente ou escala o torso e as pernas para executar suas infâmias. Não, você não o que num jantar de família

Devil girl. Duas palavras: potência intimidadora. Nesta personagem é que vejo mais clara a influência de Harvey Kurtzman na vida de Robert Crumb. Não só os traços são claramente parecidos como a construção psico(i)lógica.


Caindo no conto do hilário

A história do sucesso do trabalho de Robert Crumb é muito mais engraçada do que qualquer cartoon: ele vendeu seus desenhos para um tipo de gente que quer não sabe que elas próprias são o epicentro da piada e, se soubessem, reijeitariam manter contato com o material. Então são três tipos sociais: os 80% que não conhecem Crumb, pois derivam de um pedaço do rocambole social menos intelectualizado, analfa-funcional, subproduto de escola pública, jovens demais para terem visto o BOOM "contraculturalesco" dos anos 60; há também os 15% que conhecem, adulam, entram em comunidades de Orkut, citam como "mais fabuloso quadrinho contestador do mundo", mas não sacam que a história toda tem como chiste esse tipo de ação: procedimentos mesquinhos de pseudo-intelectualização proselitista (leia novamente a frase anterior) em camadas sucessivas. Eles não seriam fãs de Crumb se entendessem a piada-matriz, esse é o caso. Já os 5% restantes são simplesmente mais renascentistas do que eu e você e provavelmente devem estar num seminário sobre semiótica nos trabalhos de Crumb; coisa que eu jamais teria competência de engendrar.

É o seguinte: Robert Crumb provém de uma escola de ilustradores e cartunistas que nos anos 60 fundou o conceito de Underground comics (ou comix). Era uma espécie de imprensa-pílula de editoras independentes nos EUA, com foco em San Francisco. Artistas proeminentes associados a essa linguagem eram Vaughn Bode, Robert Crumb, Kim Deitch, Jim Franklin, David Geiser, Justin Green, Roberta Gregory, Rick Griffin, Bill Griffith, Rory Hayes e mais um punhado de nomes que se tornam irrelevantes para o fluir desse texto. Era a imprensa Não-Oficial da Contracultura que, por si só, era tão amorfa quanto oficial. Aliás o termo "contracultura" foi um sussuro neologístico acanhado que os 'bicho-grilos" da baía de San Francisco leram nas publicações de Theodore Roszak e resolveram fazer um blues sobre aquilo dando volume ao conceito que é pobre fundamentalmente. Sempre tem um grupo social carente de embasamento teórico às suas ideologias que insufla idéias vazias. Então os bichos-grilos adotaram Crumb e sua vasta coleção de personagens excêntricos e o tornaram POP. Rigorosamente um mito.


As ilustrações mais famosas de Crumb são:





• Anatomia segundo Robert Crumb

Mulher Melancia é materialização dele.

As mulheres retratadas por Robert Crumb são muito parecidas com essa tendência nacional de apreciação de monumentos à unção divina de músculo e gordura. A anatomia da opulência é marca crassa nos registros. Mulheres de coxas grossas, feições claramente masculinizadas (há controvérsias), músculos e roupa coladíssima. O detalhe é que são tantos "datalhes" no desenho que invariavemente podemos confundir rabiscos que eram pra determinar sombra com pêlos.


O que nos leva a considerar não só uma lembraça dos modelos mais incipientes de Tarsila do Amaral e o Abaporu. Pés e bundas enormes e cabeças atrofiadas significam claramente um menor trabalho mental e um gigantesco trabalho físico... glúteo. É o conceito reloaded de antropofagia inconsciente. É o que já havia citado... as mulheres da contracultura, todas sedentas por igualdade sexual conseguiam adorar uma gravura feito essa e ainda pedir espaço para eco da própria voz.


Outra temática recorrente, além na nádega, é a inclusão de uma rua com ponto de convergência no infinito. Vimos ali em cima na ilusração sobre Harmonica e Blues quase o mesmo ângulo de visão de quem aprecia a bunduda aqui ao lado. Há esse caráter de "never ending" prelado ao conceito de .. ah, vou traduzir exatamente o que está escrito no cartoon: "Ei seus burguêses degenerados! Vamos lá! Todos vocês mimadinhos reclamões manhosos da classe média afluente. Pulem aqui atrás! Deixem que a Santa Bunduda te leve de volta pra casa!".

Então, adiante; Robert Crumb traçou o perfil da classe média intelectual e sexual e sarreou-a à exaustão. E sabe QUEM consome Crumb e estampa no peito uma pretensa sabedoria secretamente irônica por conhecer um artista underground e também jazzista? Já falei: EU! Você. Putz grila! Para mim, ler Crumb, é pegar o "glossário" de anedotas aos contra-culturóides e rir deles, não dar recreio ao americano médio e defecar na samba-canção só porque pude comparar Dean Martin a Fritz The Cat ou as bundudas ao Abaporu.


E como não poderia faltar no Benzedrina...




JAZZ!

R. Crumb And His Cheap Suit Serenaders - Chasin Rainbows (1976)





Envolveu-se com o jazz num quarteto de cordas magnífico desempenhando desde manouches francesas ao ragtime do final do século 17.

Frontman da banda nos anos 70 e, evidentemente, elaborador das capas e cartazes, hoje em dia afastou-se em definitivo, mas disponibilizo para vocês um dos discos mais deliciosos da trupe;

Hoje a banda é fomada por
Bob Armstrong (vocals, saw, guitar), Bob Brozman (vocals, various steel instruments, guitar, ukulele), Al Dodge (vocals, mandolin), Terry Zwigoff (saw, cello, Stroh fiddle, and mandolin), and Tony Marcus (vocals guitar and fiddle). "As a novelty, they issued a number of recordings on 78rpm discs in the 1970s, long after the format was obsolete. Their three (33⅓ rpm) albums, all recorded in the 1970s on the Blue Goose label, were titled R. Crumb and his Cheap Suit Serenaders, R. Crumb and his Cheap Suit Serenaders No. 2 (1976), and R. Crumb and his Cheap Suit Serenaders No. 3 (1978); the latter two have been reissued on the Shanachie label as Chasin' Rainbows (No. 2) and Singing In the Bathtub (No. 3)."

O magnífico Sammy Davis Jr.

Que fique claro: não estou tentando a abrir disputa sobre qual Rat Pack foi o mais charmoso (definitively not Sammy), o com a melhor voz (Sammy) o mais boêmio (Dean) o mais carismático (Frank), o mais carismático DE VERDADE (Sammy), o mais performático (Sammy) e o mais hediondo(Sammy).

Perdoem meus parênteses opinativos, mas é uma questão de apuração de gosto até concluírmos que Dean era o Host, Sinatra o Garçon (to deliver a song), mas Sammy era a personificação do "talento", uma pequenina efígie mal-formada de tudo que a categorização como "artista" pede.

Cantava, dançava, atuava e tocava diversos instrumentos. Por isso, mais do que 23 filmes e 40 discos Long Playing (LP), suas performances gravadas ao vivo são seu principal legado (há um aperitivo em vídeo ainda neste post). Nasceu em 1925 e morreu em 1990 vítima de um câncer de garganta... brutal. Filho de dançarinos de vaudeville acabou herdando, portanto, a magnificência dos genes refinados daquela forma de arte incipiente que gerou grande parte dos ingredientes para o jazz. A vaudeville (voz da vila, do povo) seria muito parte do que Sammy faria de 1954 em diante.

Embates cotidianos anti-racismo

Vítima de preconceito [sic] racial quando serviu na II Grande Guerra, sublinhou um relato comovente: "Overnight the world looked different. It wasn't one color anymore. I could see the protection I'd gotten all my life from my father and Will. I appreciated their loving hope that I'd never need to know about prejudice and hate, but they were wrong. It was as if I'd walked through a swinging door for eighteen years, a door which they had always secretly held open."

Outro evento digno de menção foi quando, em 1959, o Rat Pack fundado com Frank Sinatra, e Dean Martin, Joey Bishop, Peter Lawford, e Shirley MacLaine e, claro, Sammy Davis Jr. Sinatra costumava chamar a trupe de "O clan" e Sammy, talvez com preciosismo semântico extremo, pediu para que não utilizassem esse sufixo por medo da associação direta com a Ku Klux Klan.

Sendo dono do espetáculo principal em alguns cassinos de Nevada (EUA), onde havia leis segregacionistas no showbiz em que negros não poderiam se apresentar nos palcos principais, somente Sammy, Nat King Cole e Count Basie puderam "desfrutar" (e dá-lhe aspas) dessa prerrogativa;
ainda assim, NÃO podiam se alojar no hotel/cassino e muito menos jogar.

Eyeballs off the face.


Perdeu um olho num acidente de carro em 1954 na Califórnia. Entrando para o panteão dos mutilados talentosíssimos: Django, ele próprio e Roberto Ca... hahahaha NOT!

Degustação:

Separei uns "goodies" para que apreciem.

1) Vídeo com um trecho de Sammy cantando "One for my Baby (One More for the Road)" enquanto faz imitações de Fred Astaire, Nat 'King' Cole, Billy Eckstine, Vaughn Monroe, Tony Bennett, Mel Tormé, Louis Armstrong, Dean Martin and Jerry Lewis.

HighLight do vídeo: ele fazendo dean martin entrando com um copo na mão, trêbado, chegando no pianista e perguntando "Wich way is the audiance, pally?"





2)  álbum "That Old Black Magic"
5.0 out of 5 stars More impressive than it might look, March 15, 2003
Coming in at just over 29 minutes in length and featuring a number of hits readily available on other Sammy albums, this CD may not look like a must-have at first glance. Such looks are deceiving because this CD contains some very interesting tracks. You do get the standard versions of such great songs as That Old Black Magic (one of Sammy's best), The Candy Man, Hey There, and Something's Gotta Give, and The Birth of the Blues, another Sammy staple, appears here in a studio version which pales in comparison to Sammy's fantastic live performances. That leaves five songs that require a little closer scrutiny in terms of making a buying decision. Love Me or Leave Me is a great song featuring some scorching saxophone and vintage Sammy scat work. Don't Get Around Much Any More is a song I really like and would include on my own personal list of Sammy's best. Begin the Beguine is as interesting as it is enjoyable. The last two songs are not your typical Sammy fare, and that makes them quite notable in my opinion. Chicago has a short and choppy presentation that has Sammy almost talking rather than singing; my description makes it sound unappealing, and I admit it does take some getting used to, but it's really quite enjoyable. Then there is Because of You. Sammy's amazing impersonation skills may not be known to everyone, but they are evidenced here in this song. I admit that I can't readily identify several of the singers he imitates, but I know Nat King Cole is one of them. Because of You is really quite a beautiful song, and I would love to have heard Sammy sing it in his normal voice, but Sammy's imitations are never to be missed. This album does provide a great introduction to Sammy's magic, but it is also a more than worthwhile purchase for those already intimately acquainted with Sammy's greatest hits and most memorable performances.


1. That Old Black Magic - Sammy Davis, Jr., Arlen, Harold
2. Because of You - Sammy Davis, Jr., Hammerstein, Arthur
3. Begin the Beguine - Sammy Davis, Jr., Porter, Cole
4. Chicago - Sammy Davis, Jr., Fisher, Fred
5. The Candy Man - Sammy Davis, Jr., Bricusse, Leslie
6. Hey There - Sammy Davis, Jr., Adler, Richard [Com
7. Birth of the Blues - Sammy Davis, Jr., Brown, Lew
8. Something's Gotta Give - Sammy Davis, Jr., Mercer, Johnny
9. Don't Get Around Much Anymore - Sammy Davis, Jr., Ellington, Duke
10. Love Me or Leave Me - Sammy Davis, Jr., Donaldson, Walter

here

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Sammy Davis e... OBAMA? Yes we can.


Ivan Lessa.

Em 1964, Sammy Davis Jr estrelou um musical da Broadway intitulado Golden Boy, com música e letra de Charles Strouse e Lee Adams e direção de Arthur Penn.
Ganhou o Emmy, o equivalente teatral ao Oscar, e a montagem ficou em cartaz dois anos.
Golden Boy era a adaptação de uma peça de 1939 do dramaturgo de esquerda Clifford Odets, no mesmo ano filmada com William Holden e contava a história de um jovem italiano enfrentando o dilema arte (queria ser violinista) e dinheiro (querem que seja pugilista).
Prestava-se como uma luva – de boxe – para a adaptação: um lutador negro, pronto para ser explorado por quem o cercasse, brancos e negros. Eram, afinal, os anos 60 e os direitos civis estavam na agenda. Inclusive, e muito, na agenda pessoal de Sammy Davis.
A uma certa altura, com os primeiros cobres surgindo, o personagem de Sammy, Joe Napoleon, canta a música This is the life, cercado pelo séquito habitual. Aqui um trecho:
“Can I be what I wanna be?”
E o coro:
“Yes, you can!”
“Can I get what I wanna get?”
De novo o coro
“Yes, you can!”
Sammy pergunta:
“Can I have a car with a built-in bar,
Color TV and a Playboy key,
And a hundred shares of AT&T?”
E por aí afora. O séquito sempre repetindo:
“Yes, you can, yes, you can!”
Vida riquíssima a do talentoso e versátil entertainer americano que podia e fazia de tudo. Mais do que o resto da turma do Rat Pack Sammy cansou-se de fazer a campanha de direitos civis (foi preso mais de uma vez, recebeu porrada e escarradas na cara) e, em 1960, saiu pelo país promovendo a candidatura de John Fitzgerald Kennedy para a presidência.
Eleito, JFK não o convidou para o baile inaugural. Sammy havia se casado com uma branca, ainda por cima sueca, May Britt. Negro com branca pegaria mal na Casa Branca do carismático e jovem presidente tido como liberal.
Não, o casal não podia. Não, eles não podiam.
A bofetada não foi grande novidade para Sammy. No livro, conta como, em Las Vegas, no auge de sua popularidade, entretinha nos hotéis e cassinos mais famosos, mas não podia neles se hospedar, chegar ao bar ou uma roleta. Porque era negro.
Não, ele não podia.
Nas eleições de 1968, Sammy Davis foi muito criticado por ter passado a votar pelos republicanos, ou, no caso, em Richard Nixon. Pasmo geral. Como é que pode, né mesmo? Sammy pôde. Apesar da repulsa nos meios liberais-democratas. Ele conhecera coisa bem pior.
Não foi fácil a vida de Sammy Davis. Ficaram os discos, muitos discos, filmes e filmetes e clips, ora na internet (vide, mas vide mesmo, YouTube). O homem era muito melhor do que lhe davam crédito. Inclusive como pessoa.
Sim, ele podia.
A conexão Obama
O slogan da campanha de Barack Obama é “Yes We Can”. Não foram pagos quaisquer direitos aos herdeiros de Sammy Davis. Nem passaram um, que fosse, um recibinho.
Obama pode, pode sim. Podia e foii. Basta olhar para os cortes de seus ternos e sorrisos e atentar para sua retórica. Continuam comparando-o a JFK e madame Obama a Jackie (futura O). Sammy Davis, mais uma vez, não poderá comparecer ao baile inaugural.


A ativista e sufragista americana, Victoria Claflin Woodhull, branca, foi designada pelo Equal Rights Party como candidata à presidência da república dos Estados Unidos da América do Norte em 10 de maio de 1872 e teve sua candidatura ratificada em convenção no dia 6 de junho.
Seu companheiro de chapa, candidato à Vice-Presidência da República? O abolicionista, editor, autor, estadista e reformista Frederick Douglass, um negro.
Não, eles não puderam.
Foram apenas primeirões. Feito Sammy Davis.





A Bíblia Profana das Gírias do Jazz


Aqui ponho aglutinada uma compilação do vocabulário jazzístico. Essas gírias estiveram em voga durante e depois dos anos 20, sendo constantemente reaplicadas através do século passado. Algumas dessas palavras eram de uso exclusivo dos estudantes (entretanto é evidente que a parcela que estudava nesse período era minguada).

Praticamente TODAS as explicações para os termos estão em inglês diretamente num sinônimo compreensível. Não há razão pra traduzir ao português e dar um tropeço no famigerado pé-da-letra.

Agora escutar jazz vocal fica um bocado mais interessante.





A

ab-so-lute-ly: affirmative
all wet: incorrect
And how!: I strongly agree!
ankle: to walk, i.e.. "Let's ankle!"
apple sauce: flattery, nonsense, i.e.. "Aw, applesauce!"
Attaboy!: well done!; also, Attagirl!

B

baby: sweetheart. Also denotes something of high value or respect.
baby grand: heavily built man (fat, husky)
baby vamp: an attractive or popular female, student.
balled up: confused, messed up.
baloney: Nonsense!
Bank's closed.: no kissing or making out ie. "Sorry, mac, bank's closed."
bearcat: a hot-blooded or blazing hot girl
beat it: scram, get lost.
beat one's gums: trivial talk
bee's knee's: terrific; a fad expression. Dozens of "animal anatomy" variations existed: elephant's eyebrows, gnat's whistle, eel's hips, etc.
beef: a complaint or to complain.
beeswax: business, i.e. "None of your beeswax." Student.
bell bottom: a sailor
bent: drunk
berries: (1) perfect (2) money
big cheese: important person
big six: a strong man; from auto advertising, for the new and powerful six cylinder engines.
bimbo: a tough guy
bird: general term for a man or woman, sometimes meaning "odd," i.e. "What a funny old bird."
blotto (1930 at the latest): drunk, especially to an extreme
blow: (1) a crazy party (2) to leave
bohunk: a derogatory name for an Eastern European immigrant. Out of use by 1930, except in certain anti-immigrant circles, like the KKK.
bootleg: illeagal liquor
breezer (1925): a convertable car
bubs: breasts
bug-eyed Betty (1927): an unattractive girl, student.
bull: (1) a policeman or law-enforcement official, including FBI. (2) nonesense, bullshit (3) to chat idly, to exaggerate
bump off: to kill
bum's rush, the: ejection by force from an establishment
bunny (1925): a term of endearment applied to the lost, confused, etc. Often coupled with "poor little."
bus: any old or worn out car.
bushwa: a euphemism for "bullshit"
Butt me.: I'll take a cigarette.

C

cake-eater: a lady's man
caper: a criminal act or robbery.
cat's meow: great, also "cat's pajamas" and "cat's whiskers"
cash: a kiss
Cash or check?: Do we kiss now or later?
cast a kitten: to have a fit. Used in both humorous and serious situations. i.e. "Stop tickling me or I'll cast a kitten!" Also, "have kittens."
chassis (1930): the female body
cheaters: eye glasses
check: Kiss me later.
chewing gum: double-speak, or ambiguous talk.
choice bit of calico: attractive female, student.
chopper: a Thompson Sub-Machine Gun, due to the damage its heavy .45 caliber rounds did to the human body.
chunk of lead: an unnattractive female, student.
ciggy: cigarette
clam: a dollar
coffin varnish: bootleg liquor, often poisonous.
copacetic: excellent
crasher: a person who attends a party uninvited
crush: infatuation
cuddler: one who likes to make out

D

daddy: a young woman's boyfriend or lover, especially if he's rich.
daddy-o: a term of address; strictly an African-American term.
dame: a female. Did not gain widespread use until the 1930's.
dapper: a Flapper's dad
darb: a great person or thing. "That movie was darb."
dead soldier: an empty beer bottle.
deb: a debutant.
dewdropper: a young man who sleeps all day and doesn't have a job
dick: a private investigator. Coined around 1900, the term finds major recognition in the 20's.
dinge: a derogatory term for an African-American. Out of use by 1930.
dogs: feet
doll: an attractive woman.
dolled up: dressed up
don't know from nothing: doesn't have any information
don't take any wooden nickels: don't do anything stupid.
dope: drugs, esp. cocaine or opium.
doublecross: to cheat, stab in the back.
dough: money
drugstore cowboy: A well-dressed man who loiters in public areas trying to pick up women.
dry up: shut up, get lost
ducky: very good
dumb Dora: an absolute idiot, a dumbbell, especially a woman; flapper.

E

earful: enough
edge: intoxication, a buzz. i.e. "I've got an edge."
egg: a person who lives the big life
Ethel: an effeminate male.

F

face stretcher: an old woman trying to look young
fag: a cigarette. Also, starting around 1920, a homosexual.
fella: fellow. As common in its day as "man," "dude," or "guy" is today. "That John sure is a swell fella."
fire extinguisher: a chaperone
fish: (1) a college freshman (2) a first timer in prison
flat tire: a bore
flivver: a Model T; after 1928, also could mean any broken down car.
floorflusher: an insatiable dancer
flour lover: a girl with too much face powder
fly boy: a glamorous term for an aviator
For crying out loud!: same usage as today
four-flusher: a person who feigns wealth while mooching off others.
fried: drunk
futz: a euphemism for "fuck." i.e. "Don't futz around."

G

gams (1930): legs
gatecrasher: see "crasher"
gay: happy or lively; no connection to homosexuality. See "fag."
Get Hot! Get Hot!: encouragement for a hot dancer doing her thing
get-up (1930): an outfit.
get a wiggle on: get a move on, get going
get in a lather: get worked up, angry
giggle water: booze
gigolo: dancing partner
gimp: cripple; one who walks with a limp. Gangster Dion O’Bannion was called Gimpy due to his noticeable limp.
gin mill: a seller of hard liquor; a cheap speakeasy
glad rags: "going out on the town" clothes
go chase yourself: get lost, scram.
gold-digger (1925): a woman who pursues men for their money.
goods, the: (1) the right material, or a person who has it (2) the facts, the truth, i.e. "Make sure the cops don't get the goods on you."
goof: (1) a stupid or bumbling person, (2) a boyfriend, flapper.
goofy: in love
grummy: depressed
grungy: envious

H

hair of the dog (1925): a shot of alcohol.
half seas over: drunk, also "half under."
handcuff: engagement ring
hard-boiled: tough, as in, a tough guy, ie: "he sure is hard-boiled!"
harp: an Irishman
hayburner: (1) a gas guzzling car (2) a horse one loses money on
heavy sugar (1929): a lot of money
heebie-jeebies (1926): "the shakes," named after a hit song.
heeler: a poor dancer
high hat: a snob.
hip to the jive: cool, trendy
hit on all sixes: to perform 100 per cent; as "hitting on all six cylinders"; perhaps a more common variation in these days of four cylinder engines was "hit on all fours". See "big six".
hooch: booze
hood (late 20s): hoodlum
hooey: bullshit, nonsense. Very popular from 1925 to 1930, used somewhat thereafter.
hop: (1) opiate or marijuana (2) a teen party or dance
hope chest: pack of cigarettes
hopped up: under the influence of drugs
Hot dawg!: Great!; also: "Hot socks!" Rarely spelled as shown outside of flapper circles until popularized by 1940s comic strips.
hot sketch: a card or cut-up

I

"I have to go see a man about a dog.": "I've got to leave now," often meaning to go buy whiskey.
icy mitt: rejection
insured: engaged
iron (1925): a motorcycle, among motorcycle enthusiasts
iron one’s shoelaces: to go to the restroom
ish kabibble (1925): a retort meaning "I should care." Was the name of a musician in the Kay Kayser Orchestra of the 1930s.

J

jack: money
Jake: great, ie. "Everything's Jake."
Jalopy: a dumpy old car
Jane: any female
java: coffee
jeepers creepers: "Jesus Christ!"
jerk soda: to dispense soda from a tap; thus, "soda jerk"
jigaboo: a derogatory term for an African-American
jitney: a car employed as a private bus. Fare was usually five-cents; also called a "nickel."
joe: coffee
Joe Brooks: a perfectly dressed person; student.
john: a toilet
joint: establishment
juice joint: a speakeasy

K

kale: money
keen: appealing
kike: a derogatory term for a Jewish person
killjoy: a solemn person
knock up: to make pregnant
know one's onions: to know one's business or what one is talking about

L

lay off: cut the crap
left holding the bag: (1) to be cheated out of one's fair share (2) to be blamed for something
let George do it: a work evading phrase
level with me: be honest
limey: a British soldier or citizen, from World War I
line: a false story, as in "to feed one a line."
live wire: a lively person
lollapalooza (1930): a humdinger
lollygagger: (1) a young man who enjoys making out (2) an idle person

M

manacle: wedding ring
mazuma: money
Mick: a derogatory term for Irishmen
milquetoast (1924): a very timid person; from the comic book character Casper Milquetoast, a hen-pecked male.
mind your potatoes: mind your own business.
mooch: to leave
moonshine: homemade whiskey
mop: a handkerchief
munitions: face powder

N

neck: to kiss passionately
necker: a girl who wraps her arms around her boyfriend's neck.
nifty: great, excellent
noodle juice: tea
nookie: sex
Not so good!: I personally disapprove.
"Now you're on the trolley!": Now you've got it, now you're right.

O

ofay: a commonly used Black expression for Whites
off one's nuts: crazy
Oh yeah!: I doubt it!
old boy: a male term of address, used in conversation with other males. Denoted acceptance in a social environment. Also "old man" "old fruit." "How's everything old boy?"
Oliver Twist: a skilled dancer
on a toot: a drinking binge
on the lam: fleeing from police
on the level: legitimate, honest
on the up and up: on the level
orchid: an expensive item
ossified: drunk
owl: a person who's out late

P

palooka: (1) a below-average or average boxer (2) a social outsider, from the comic strip character Joe Palooka, who came from humble ethnic roots
panic: to produce a big reaction from one's audience
panther sweat (1925): whiskey
percolate: (1) to boil over (2) As of 1925, to run smoothly; "perk"
pet: necking, only more; making out
petting pantry: movie theater
petting party: one or more couples making out in a room or auto
piffle: baloney
piker: (1) a cheapskate (2) a coward
pill: (1) a teacher (2) an unlikable person
pinch: to arrest. Pinched: to be arrested.
pinko: liberal
pipe down: stop talking
prom-trotter: a student who attends all school social functions
pos-i-lute-ly: affirmative, also "pos-i-tive-ly"
punch the bag: small talk
putting on the ritz: after the Ritz Hotel in Paris (and its namesake Caesar Ritz); doing something in high style. Also "ritzy."

Q

quiff: a slut or cheap prostitute

R

rag-a-muffin: a dirty or disheveled individual
rain pitchforks: a downpour
razz: to make fun of
Real McCoy: a genuine item
regular: normal, typical, average; "Regular fella."
Reuben: an unsophisticated country bumpkin. Also "rube"
Rhatz!: How disappointing!
rub: a student dance party
rubes: money or dollars
rummy: a drunken bum

S

sap: a fool, an idiot. Very common term in the 20s.
says you: a reaction of disbelief
scratch: money
screaming meemies: the shakes
screw: get lost, get out, etc. Occasionally, in pre 1930 talkies (such as The Broadway Melody) screw is used to tell a character to leave. One film features the line "Go on, go on -- screw!"
screwy: crazy; "You're screwy!"
sheba: one's girlfriend
sheik: one's boyfriend
shiv: a knife
simolean: a dollar
sinker: a doughnut
sitting pretty: in a prime position
skirt: an attractive female
smarty: a cute flapper
smoke-eater: a smoker
smudger: a close dancer
sockdollager: an action having a great impact
so's your old man: a reply of irritation
spade: yet another derogatory term for an African-American
speakeasy: a bar selling illeagal liquor
spill: to talk
splifficated: drunk
spoon: to neck, or at least talk of love
static: (1) empty talk (2) conflicting opinion
stilts: legs
struggle: modern dance
stuck on: in love, student.
sugar daddy: older boyfriend who showers girlfriend with gifts in exchange for sex
swanky: (1) good (2) elegant
swell: (1) good (2) a high class person

T

take someone for a ride: to take someone to a deserted location and murder them.
tasty: appealing
teenager: not a common term until 1930; before then, the term was "young adults."
tell it to Sweeney: tell it to someone who'll believe it.
tight: attractive
Tin Pan Alley: the music industry in New York, located between 48th and 52nd Streets
tomato: a "ripe" female
torpedo: a hired thug or hitman

U

unreal: special
upchuck: to vomit
upstage: snobby

V

vamp: (1) a seducer of men, an aggressive flirt (2) to seduce
voot: money

W

water-proof: a face that doesn't require make-up
wet blanket: see Killjoy
wife: dorm roomate, student.
What's eating you?: What's wrong?
whoopee: wild fun
Woof! Woof!: ridicule

X

Y

You slay me!: That's funny!

Z

zozzled: drunk







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Novembro 11, 2008

Toca, mas dirige, Woody!

Primeira informação aos que não sabem: Woddy Allen não é só diretor, mas é músico e tem uma banda de Jazz revival (Dixieland) onde toca clarinete. E é moderadamente boa; não é nada que se chame de "A apoteose da síncope musical", mas ainda é melhor que a nossa tupiniquim Traditional Jazz Band. Queria mesmo que ele fosse um grande clarinetista e que tivesse içado mestria nesse ofício, pois não haveria no mundo nome mais gracioso do que "Weedy Goodman".

Anyways... Allen, o recluso, parece estar circulando mais em público ultimamente, desde que andava tocando com sua banda e concluindo o disco/documentário Wild Man Blues (DOWNLOAD do disco para avaliação). Ele adminte que ninguém jamais gastaria um centavo para vê-lo tocar se previamente não tivesse se tornado um diretor de renome. Talvez. E aí atinjo o bojo (adoro atingir um bojo) da questão: ele toca dixieland revival tal como dirige seus filmes. Nessa turnê por mais de 12 cidades européias em meados de 1996, Allen tentou erigir novamente sua imagem de artista canonizado exatamente por aspirar uma mostra de outra competência sua, a música. O disco, para quem entende de música, é um deleite, mas o documentário é mais tedioso do que uma reunião de mudos para uma tarde de bingo: todos querem se purgar, mas a voz não sai. Um intrigante relevo nessa película é que a direção do filme jaz nas mãos de Barbara Kopple, mais conhecida pelo sua neurastenia política engajada com a produção de filmes como "Harlan County USA" (não sei como traduziram isso na Globo). O estranho é que Woody afirmou dezenas de vezes que havia sofrido uma vasoconstrição nas suas artérias políticas, mas que o medo da tarja de "apolítico alienado" não faz com as escolhas dos seus compartes, hun?

Soaram as Notas

Com relação às performances de jazz, a preocupação central de "Wild Man Blues", a atitude de Allen diante da música não fica distante da estética de seus filmes. Seus mais recentes são pastiches do vocabulário cinematográfico europeu. Alega que faz filme como Fellini ou Bergman, ídolos de infância. O que ele nunca entendeu é que ambos fizeram cinema de um jeito diferente: resgataram as pequenas doses do drama da realidade humana para que se misturassem com o apelo universal. (EU, Luiz, acho que seria como o inverso da noção de imperativo categórico de Kant. Porque "Golden Rule" de ânus é falo). E é exatamente com esses elementos que Allen perdeu o contato com o passar dos anos e dos seus filmes. Ele se trancou num sótão hermético e homogênio da mídia de altíssimo sucesso de público em Manhattan e esqueceu das miudezas humanas que têm poder de se universalizarem naturalmente, sem erudição ensebada de "Scoop", por exemplo.

un-Big Band, un-Big "Bang"

Allen queria fazer uma big band, mas não conseguiu reunir grupos para emular Artie Shaw, Count Basie, Cab Calloway, Benny Goodman, Dorsey e outros. Foi falta de dinheiro mesmo que o forçou a tentar tocar uma forma de jazz mais incipiente, mais inocente, entretanto densa e repleta de significado histórico: a Dixieland, 20's, New Orleans. Allen e sua "gang" honram o gênero e tocam com mestria, mas lembremos que dixieland e ragtime são estilos relativamente fáceis de tocar se comparados aos arranjos nababescos das orquestras de Duke e Count. Dixie é bela, louvável e reverenciável quando se lança olhar ao passado, ao desabrolho do estilo, às fusões de elementos nobres da arte afro-americana (ragtime, festivais vaudevilles, brass bands, blues).

Após um show, Allen volta ao hotel e alega que notou a platéia "anestesiada". Portanto ou o clarinete pulverizava morfina ou lhes havia faltado paixão na execução do repertório.
Imitar Dixieland sem paixão nos palcos é como tentar servilmente refilmar conceitos de Fellini ou Bergman.
O mesmo se aplica ao filme menos assistível de Woody: Sweet and Lowdown. Um filme onde o preceito é sedutor, as referências históricas são mais dos que atraentes também (Django!!!), mas o substrato final é poroso e, pricipalmente, auto-indulgente. É aquela história das cabeças falantes. No filme, Emmett Ray é o segundo maior guitarrista do mundo ficando à sombra do gênio Django Rainhardt nos anos 30. Mas Emmet é um sujeito mais repulsivo da sua era. E para afirmar tal coisa, Allen nos faz ver: se afiliando com prostitutas no hotel onde se hospeda, roubando e convidando neg.. ops, afro-americanos para ir a becos atirar em ratos com armas de calibre 45. Mas tudo isso é perdoado quando ele senta e toca guitarra. Esse é o jeitinho de Allen de elevar o espírito humano através da arte, onde ela é o ponto onde nossos julgamentos devem se focar, não na conduta moral. Nem eu, degenarado ao máximo, consigo pensar assim. Só Allen.


Isso é Allen atualmente; ser constantemente um objeto de adulação recente não pelos resultados de trabalhos/atos, mas mantendo-se no pedestal por ecos de gritos afinados antigos que ressonam pra sempre na cabeça oca dos malditos fãs-de-allen-sem-ressalvas, impedindo-os de ouvir essa cacofonia de urro meia-boca. Pouco 'alter", muito ego.






Novembro 06, 2008

Histeria - Apatia - Alforria

Olá, bípedes.

Meu ex-blog, aposentado (por efeito da perda do password), o Histérico Histórico foi um sucesso retumbante entre os que precisavam de citações ligeiras-tenazes-argutas-maleducadas. Fui chupado à exaustão (ui), tive frases clonadas, posts inteiros reproduzidos sem devido crédito, imagens subtraídas e outras tantas contravenções civis... mas essas eu que cometi só de escrever.

Negligenciei compaixão a todo tipo de minoria tosca e fiz pior com as maiorias. O slogan do pardieiro Histérico era "Aberto ao monólogo / Aberto aos domingos". E fez escola. Com relação ao plágio em cima de minha produção autoral não dou a mínima. O que me deixa macambúzio feito um jurado de pole dancing cego é o ostracismo em que entrei depois do término do meu blog-terapia. Fui da histeria à apatia.

Ah, aos sacripantas que adoram uma definição de vernáculo ou não acompanham a toada do negócio: Benzedrina é uma patente de dl-anfetamina. Estimulante. Um estágio acima da histeria minha de outrora. Até o Jack Kerouac escreveu o maculado “On the Road” sob esse efeito. Foi usada como bronco-dilatadora, mas depois largou a chatisse da aplicação médica e virou utensílio recreacional. hohoho

Enfim, começarei nesse novo átrio de fidalguia circense online um sucessivo ato argumentativo mediante exposição de TUDO que é realmente louvável no sistema de mundo alcançável por um bípede, alfabetizado e maior de idade. Fine-Arts, belas-artes, mas numa concepção moderna, sem esquecer dos clássicos.

Demostrarei teoremas diários (ah, terão axiomas também, relaxa...) em que meu proselitismo servirá de critério para você:

1) ter referenciais e impressionar a si mesmo e à sua turma.
2) fazer PARECER tê-los.
3) maldizer-me.

Dá até pra ignorar esse site, mas só com auto-indulgência da boa. Pois aí então você lê um trecho, não entende e então vocifera o bom e velho "Mas que cara petulante e sem conteúdo".

Aí eu te digo: vai te "catarse".
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